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O que motiva as pessoas que atuam nos esportes, nos negócios, nas artes ou em outras atividades a se superarem? As conquistas, as pessoas com quem convivem, uma viagem dos sonhos, descobertas ou metas pessoais, podem compor as tantas respostas a essa questão.

A motivação de pessoas ocupa sempre lugar de destaque no quebra-cabeças que é a gestão de pessoas. Não é à toa que muitas empresas investem em gestão de desempenho e em programas de reconhecimento.

A motivação consiste, segundo estudiosos do assunto, ao processo de estimular pessoas ou grupos de pessoas a despender esforços para o alcance de metas. Sabemos que nem toda atividade é prazerosa, então, o que fazer para se criar, e manter em alguém a motivação para o alcance de uma meta, um sonho ou desafio?

Este artigo pretende comentar – com base em experiências do dia a dia das empresas de diversos setores – a respeito de algumas descobertas e avanços nas maneiras contemporâneas de motivar pessoas.

Algumas ideias poderão ser avaliadas e aplicadas pelos gestores nas empresas, obedecendo às condições disponíveis e perfil dos funcionários. A motivação eficaz de funcionários traz efeitos positivos como melhorias na produtividade no ambiente de trabalho, que serão refletidas na qualidade do atendimento e na satisfação dos clientes.

Você que está lendo este texto, certamente já percebeu o desafio que é encontrar meios que estimulem funcionários a darem o máximo de si.

Aqueles que pretendem se aprofundar no estudo da motivação no ambiente corporativo, vão se deparar com mais de uma dezena de teorias sobre o assunto. Essas teorias não competem entre si, todavia, elas se complementam e se inter-relacionam.

O mundo corporativo é complexo, têm suas especificidades e passa por grande revolução tecnológica em suas normas rígidas e padrões de serviços. Diante do cliente, tanto interno quanto externo, manter a atenção, o sorriso no rosto e a disposição para aperfeiçoar tarefas cotidianas diante das frequentes inovações, exige muita motivação individual dos funcionários e das equipes de atendimento.

Então, é importante conhecermos nesse ambiente, como e o que nos move no sentido de uma meta. Entender quais são as circunstâncias que estimulem nossos comportamentos e que ajudem a alcançar algo proposto.

A motivação pode tomar dois direcionamentos diferentes, provocados por motivos externos ou internos, no entanto, estes poderão levar a uma mesma meta.

1. A motivação externa, ou extrínseca, que está relacionada a fatores externos, ao ambiente e as oportunidades oferecidas às pessoas por meio de estímulos externos. Alguns exemplos:

  • Premiações para a equipe;
  • Promoção na carreira profissional;
  • Treinamentos de capacitação;
  • Feedbacks proporcionados pelo superior direto;
  • Comportamentos proativos de colegas.

As formas de motivação externa estão atreladas a sistemas de recompensas que estimulam mudanças de comportamento – como incentivos financeiros e premiações – têm seus efeitos comprovados, no entanto, atuam no curto prazo. Recompensas funcionam bem quando aplicadas às atividades rotineiras, mais mecânicas, sem exigência de muita criatividade, sempre se levando em conta as necessidades de cada um.

Passado um tempo, aquele benefício ou recompensa pode tornar-se pouco percebido ou estimulante.

Um elogio, franco e sincero, feito pelo chefe ou líder como forma de valorização do esforço, ou uma foto no mural de avisos, uma lembrança, provocam motivações externas também.

2. A motivação interna, ou intrínseca, que está relacionada à nossa força interna, à capacidade de automotivação, ligada a algo que faz sentido para a pessoa. Como exemplos:

  • Oportunidade de realizar projetos desafiadores;
  • Vontade interior de fazer a diferença;
  • Motivos alinhados ao propósito de vida;
  • Metas desenvolvidas a partir de valores e crenças individuais;
  • Desenvolver a percepção como caminho para o autoconhecimento.

Tendo a motivação de pessoal como estratégia para elevar a eficiência, o bem-estar e a produtividade dos funcionários, o gestor de Recursos Humanos poderá elaborar ações nas duas direções. Ações visando a motivação extrínseca do funcionário com base em fatores externos, como os citados acima, que tem seus efeitos no curto prazo, e também ações provocando a motivação intrínseca, algo relacionado à sua criatividade, ao seu propósito – uma causa maior – que terá efeito mais duradouro, de longo prazo.

Há pessoas que acreditam que é nas situações mais difíceis que os melhores sentimentos humanos emergem, abastecidos por razões intrínsecas. O propósito do trabalho torna-se maior do que a simples recompensa financeira.

Nessa direção, um trabalho recente do pesquisador norte-americano Daniel Pink, batizado de Motivação 3.0, traz um novo direcionamento às teorias motivacionais, demonstrando que a motivação humana vai muito além da oferta de recompensas materiais, prêmios ou promoções.

Ninguém nega a importância e o efeito disso na motivação das pessoas. O estudo de Pink revela com dados e comprovações, que o segredo do alto desempenho e da satisfação está ligado à necessidade essencialmente humana de aprender e criar coisas novas e conquistar autonomia. E, de alguma forma contribuir com as melhorais no ambiente e na sustentabilidade dos recursos do planeta. Ou seja, as motivações internas predominam sobre as externas na questão dos seus efeitos principalmente quando estão alinhadas ao propósito das pessoas, seja no âmbito pessoal quanto no profissional.

Contar com as pessoas certas a bordo, alinhando seus objetivos de vida com as tarefas e responsabilidades nas atividades desempenhadas no trabalho, provocará sua automotivação.

Vale ressaltar a tendência em algumas organizações para o empowerment, termo utilizado para a delegação de autoridade dada ao funcionário, como meio de liberar a motivação que já existe.

Tanto um elogio sincero, quanto a possibilidade de uma oportunidade de crescimento, move pessoas.

Fica, portanto, o desafio: Como gerenciar pessoas de modo a provocar suas motivações de tal forma que elas descubram meios para a automotivação?

Finalizando, quando o funcionário sente que o propósito ou a missão da empresa contribuem para o sentimento de que seu trabalho é importante, nasce o movimento, a motivação para fazer parte desse processo.

E como resultado, virão altos níveis de comprometimento e engajamento.

Um abraço

Gilberto Cavicchioli
Por Gilberto Cavicchioli

Consultor de empresas, professor em pós-graduação e MBA em grandes Escolas de Negócios do Brasil.
Dirige a empresa Cavicchioli Treinamentos cavicchiolitreinamentos.com.br