Entropia é um termo originado da física mais especificamente uma grandeza da termodinâmica. Mede a quantidade de energia de um sistema que não é transformada em trabalho. De forma simplificada, significa a tendência de um sistema exaurir-se e deixar de existir. Literalmente morrer. É uma propriedade universal dos sistemas.

Se um sistema não receber novas energias – as entradas – provenientes de seu ambiente, ele poderá deixar de existir.

Considerando-se um sistema como partes inter­ relacionadas que funcionam como um todo para alcançar um propósito comum, as organizações, numa analogia com os sistemas, para sobreviver e prosperar, precisam avaliar o ambiente externo, o interno, as mudanças, as contingências e desenvolver monitoramento constante. Entra aí o papel da liderança, fundamental no contexto das modernas organizações.
Para não exaurir e morrer, ou de maneira menos trágica, deixar de aplicar seu potencial no ambiente organizacional, é papel do líder na grande maioria das vezes, por si só, buscar as fontes de energia necessárias e adequadas ao uso de suas competências e transformar essa energia adquirida em combustível para adequar-se às mudanças. Ou melhor, reduzir sua entropia. A parte de sua energia, seu talento, seu potencial que se não aproveitado ou transformado em motivação e desempenho se perderá para sempre. Nem sempre estão à mão formas de aperfeiçoar líderes.

As inovações tornam-se obsoletas tão rapidamente que por vezes não tomamos conta de que um benefício caducou e nossa percepção não foi rápida o suficiente. Considero nesse contexto dois os grandes desafios dos líderes:

  • Ter consciência de que por mais bem sucedidos sejam seus atos, seus comportamentos, o líder deverá manter seu sistema aberto, sua mente, com entradas generosas de ideias, insights e feedbacks. Disposição em reinventar-se, ouvir sem julgar.
  • Conservar o seu potencial de manter-se aprendendo, na habilidade para estimular e capacitar pessoas para o desenvolvimento e transformação de suas habilidades em competências. Competências essas que o próprio líder irá validar, delegando responsabilidade a quem demonstrar capacidade de desempenho relevante.

A entropia ataca e mina os líderes na sua disposição e na boa vontade de encarar desafios.

Voltando à física, cabe ao líder desenvolver mecanismos complexos de combater a exaustão, o sumidouro de energias,não delegando a ninguém seu poder de renovação, seu poder de conquista de si mesmo, de dominar a própria vontade. De ser o fornecedor da força que se dá a si mesmo.
Não delegar ao ambiente organizacional seu poder de fazer-se sentir-se bem.
A liderança nas organizações deve funcionar como o redutor da entropia, mediante a retenção de entradas do mundo externo transformando-as de alguma maneira e depois liberando-as de volta para o ambiente, na forma de conhecimentos, motivação e alegria.

Gilberto Cavicchioli,
Consultor de empresas, é professor na pós-graduação da ESPM, FGV e SENAC.

20 de março de 2009